17 de janeiro de 2008

Promessas - De sempre

Não quero sua promessa de eternidade.
Ela não vale mais que meia dúzia de amores prometidos.
Desejo apenas o infinito que você não conhece,
aquela febre que não se cura
- e que lhe enlouqueça até o fim.

15 de janeiro de 2008

Em Pausa

Eu quero ficar perto do teu lado deserto/ Saber se há amor ou conspiração/ Eu quero bem de perto ter o teu lado aberto/ Encher o nosso frasco com nova fração/ Não quero ser discreta/ Mais um pouco alerta/ Para os sinais coloridos da tua visão/ Se for de Deus eu creio não ter sinal vermelho/ Que bloqueie até o fim o teu corpo são/ A minha mente gira rápida como a lira/ Que corre apressada demarcando o chão/ O teu lado é escondido, manchado e perdido/ Mas faz vibrar as cordas do meu violão/ Não sei se é correto pedir o céu aberto para ver as estrelas daqui desse colchão/ O teu copo é meio cheio/ Rachado bem no meio/ Marca d'água sem receio quase feita à mão/Só peço a quem não veio, ao menos mais conflito para instigar um pouco o teu coração/ O amor escorre aos litros/ Durante o teu cochilo/ Derramo água em forma de declaração/ Agora eu me despeço/ Despedaçando os versos/ Que o meu travesseiro absorveu dessa canção.

14 de janeiro de 2008

As palavras que só ela poderia usar

Hoje acordei em uma cama imensa,
Tomei o maior café da minha vida,
Senti a tua ausência;
Vi que o nosso retrato na escrivinha amarelou sem as minhas cores,
Notei o teu bilhete no vão da porta que diz que você já vai voltar e no fim: seja feliz.

E sei que foi distribuir o teu amor como panfleto.

3 de janeiro de 2008

De lá se viu o longe

Como você mesmo dizia, eu entrei pelos seus olhos e me alojei naquele clarão. As nossas promessas de amor serviram como corda para nos apertar sempre um ao outro, mas hoje entendo que me sufoquei sem nem me importar com isso enquanto só havia você aqui. Lembra daquela carta escondida no meu vestido, toda perfumada com cheiro de você? Foi uma supresa inesquecível, amável e digna de lembranças. A gente brincava de "adultecer" com a nossa independência emancipada e com o ardor de filmes de romances históricos. Não faltava amor e eu sabia disso. Era tudo muito claro, assim como a tua alma dourada que brilhava quando me via chegar dos meus compromissos. Você me dava rosas geométricas que enfeitavam o meu quarto com as suas cores vivas. A sua letra suave e bem escrita sempre inundava os meus olhos quando de surpresa eu as encontrava grafadas em algum canto da minha bolsa. Não tiramos muitas fotos, você ficava envergonhado e sempre dizia que os nossos olhos é que revelavam as imagens mais bonitas que haveriam de existir. Tudo me proporcionava alegria quando ouvia a sua voz grossa e discursiva, que fazia contraste pleno com a minha fina e com singelo sotaque. O teu jeito de sorrir de boca bem aberta, a maneira que me convidava para dançar e a cordialidade que havia no modo como carinhosamente me chamava, eram motivos que me faziam ter cada vez mais a certeza de que era você o meu sonho materializado. Porém, a falta de vivência nos afetou, e sinceramente, nós sabíamos que isso um dia iria acontecer. Depois de algum tempo as tuas frases se tornaram menos freqüentes e determinadas, como se não houvesse mais a real necessidade de me conquistar a cada dia e eu passei a me ampliar para ir ocupando cada vão que você deixava. Os grãos de areia da ampulheta caiam vertiginosamente como pássaros feridos que aprenderam a voar, mas que não podiam mais evitar a queda. As lacunas ficaram tão maiores que o controle se perdeu. E como o esperado, eu caí primeiro. A queda foi brusca, seca e frontal; dolorosa e eterna.

Para as rosas, escreveu alguém, o jardineiro é eterno.