É, eu sabia que mais cedo ou mais tarde esse momento iria chegar. Aqueles portões, hoje coloridos e vítimas inicialmente da minha reprovação, me proporcionavam um sentimento incrível de proteção, mesmo que eu pedisse a alguma entidade que tudo terminasse logo. Sinto que passei a minha vida inteira construindo a minha casa, depositando em cada tijolo colocado, o meu esforço, mesmo em dias que eu preferia que não existissem. Eu sei de cada porção de cimento, cada porta, cada vidro e cada cicatriz que me teve durante essa construção. Fui eu mesma que nos últimos meses respirei fundo e notei o quanto estava ficando linda, com as minhas cores. Para melhorá-la, bati cada prego na parede para pendurar as pinturas mais bonitas, os quadros que eu pintei e que me foram dados de presente. Agora preciso me mudar, mas ninguém se lembrou de me dar o endereço.
As cortinas não disfarçam o espelho que me vê.