11 de março de 2008
Futuro de Presente
Sonhar é cada dia mais um exercício de esperança, com alto grau de dificuldade, da minha personalidade tão realista. Os sonhos vêm como bolhas de sabão geradas por uma criança em uma brincadeira com a vida, mesclando o criar e o desaparecer. Talvez a maturidade e os novos olhos de raposa tenham instigado o que imagino como horizonte próximo. Alguns muitos desejos provém de clichês (também tenho que me respeitar por isso), outros vêm da minha própria máquina de alta costura de fantasias. O sonho de um lugar que me destaque pela competência, do meu próprio lar, das alianças trocadas e dos herdeiros de serenidade são futuros de presente que eu almejo ganhar através do meu coração moralista, porém gigantesco e macio. Também escreverei um livro, mesmo que venha a ser careta o ato de ler nos tempos que estão por vir. Quero dormir na areia da praia, brincar de abrir conchinhas e sair por aí com uma flor colorida nos meus longos e negros cabelos todos os dias. No meu lar não haverá música alta, apenas músicas que representem o meu estado de espírito, sempre respeitando a minha impaciência em perder o controle por conta de decibéis de textos imóveis, enquanto o que eu terei para falar de hoje em diante se torna cada vez mais mutável e leve. Quero uma parede toda branca no meu quarto para preenchê-la de tinta preta os meus próprios versos inacabados. Se o acaso fizer de mim alguém só, criarei a Neca, meu mascote que surgiu de um outro sonho maluco. Não deixarei de dançar o som dos meus desejos responsáveis e pelo menos cantarolar os não tão responsáveis assim. Os meus olhos de raposa podem até continuar oblíquos e dissimulados, mas a minha essência será preservada por mim e pela brisa que sopra o meu corpo para seguir como a menina que fui e que serei, fazendo bolas de sabão e renascendo para voar e transferir o maior amor do mundo.
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