3 de outubro de 2007

Quanto mais piso, menor a casa

Despem-se as paredes e logo são vestidas com cores que outrora foram da moda. O chão passa a ser recoberto por uma camada que não toca o que antes era pisado. É sempre assim que fazemos, depositamos uma camada protetora entre o que foi e o que que é e será. A grande curiosidade dessa película de segurança é justamente o fato de um aviso como esse alarmar que houve perigo um dia. Não se coloca um aviso de "seguro" em um parque que você sempre frequentou ou na porta de sua casa, mas em locais que já trouxeram algum tipo de preocupação. Quanto mais piso, menor a casa. Passam a existir tantas camadas protetoras com o passar do tempo que o chão quase toca o teto e fica flutuante, como se o passado não fosse exatamente o que se vive agora. A parte vivida nesse instante é justamente aquele caminho que você deixou de seguir, pois julgou que o trajeto escolhido anteriormente fora a melhor opção. Recubro o passado com o desejo fiel de arrancar tudo que já foi solidificado e almejo fazer uma suave cobertura de mim, unicamente. Renovar é reviver o passado por um outro caminho.

Um comentário:

Caio Lumazzini disse...

Faça o registro da última frase. Ela é muito boa.