27 de setembro de 2007

Só em lá

Um dia ela me disse:
- Imagino que a solidão seja algo inevitável e infindo. Ela não brota do que é nada e simplesmente é. Não é sintoma de quem perdeu os pais ou está casado; de quem tem amigos ou namorado; de quem tem emprego ou quem é desempregado; de quem tem boas relações públicas ou de quem é tímido; de quem gosta de festas ou de quem é caseiro. O "estar só" é cruel e difícil de constatar e remediar. Os pensamentos que circundam são só teus. Se não disseres o que sentes de verdade através de gestos ou palavras, os outros jamais saberão o que acontece, e aí está a solidão. Quando tu te deitas em tua cama e vira para o teu céu, sentes que estás só. Só em sol, só em si, só em ré, só em dó. Sentes vontade de completar alguém, mas sabes que há cortes abertos em teu corpo. Por que não te curas antes de jogar teu pó mágico e curandeiro sobre outros corpos? Certamente há quem precise de ti, mas não deves atirar tua singela e esperançosa vida sobre outras vidas, possivelmente cortadas como a tua, para que te completem e curem. Quanto mais vazia for a tua existência, mais pesada será. Aprenda a amar-te incondicionalmente e a curar-te. Não tenhas dó de ti. Estou certa de que serás tudo o que um dia desejaste. És uma grande mulher e forte em tuas lágrimas doces.

Um comentário:

Caio Lumazzini disse...

Solidão não é estado, é sentimento.
Boa observação.